Saiba como é medida a inflação e por que ela afeta o seu poder de compra

Você acompanha as notícias de jornais que, constantemente, apresentam os principais índices financeiros, mas mesmo assim não entende como é medida a inflação? Aproveita então este texto para tirar todas as suas dúvidas!

Afinal, a alta e a queda da inflação atinge diretamente o seu bolso, podendo melhorar ou piorar o seu poder de compra, por exemplo. Ela afeta os preços de tudo o que você consome e de toda a economia brasileira, impactando os mais diversos setores de produtos e serviços.

O que é inflação na prática? Será que dá para fugir da inflação? Continue a leitura e veja mais!

O que é inflação?

De acordo com o IBGE, a inflação é “o nome dado ao aumento dos preços de produtos e serviços. Ela é calculada pelos índices de preços, comumente chamados de índices de inflação.”

Isto é, a inflação pondera os produtos e os serviços mais utilizados pela população e mede os seus preços baseando-se em períodos de tempo. 

Para entender como é medida a inflação, é necessário saber mais o conceito de cada índice mensurado.

Cada um deles se refere a inflação de tipos diferentes, afinal, a alta de preços não atinge a todos da mesma forma. Se você não comer carne, os preços elevados dela não irão impactar o seu orçamento.

Portanto, cada índice calcula faixas de renda, regiões, itens e períodos diferentes. Proporcionando uma maior segurança na mensuração, com fontes variadas para o cálculo da inflação.

IPCA

Um dos índices mais importantes para compreender como é medida a inflação é o IPCA, calculado pelo IBGE e considerado o oficial pelo governo federal.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) engloba a maior parte da população. Baseando-se em períodos de tempo, ele mensura a variação do custo de vida médio das famílias com renda mensal de 1 a 40 salários mínimos.

O IPCA é calculado todo mês, analisando preços das 11 principais regiões metropolitanas do Brasil. São mais de 28 mil comércios visitados por pesquisadores do IBGE. 

INPC

Também mensurado pelo IBGE, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) se difere do IPCA apenas pela amplitude da sua pesquisa.

Se o IPCA mede os preços de famílias de 1 a 40 salários mínimos, o INPC se baseia na variação do custo de vida médio apenas das famílias com renda mensal de 1 a 5 salários mínimos

Esse grupo é mais sensível à oscilação de preços de produtos e serviços, já que toda ou grande parte da sua remuneração é gasta com itens básicos, como transporte, moradia, alimentação e remédios.

IGP-M

Outro índice que impacta o cálculo da inflação é o Índice Geral de Preços do Mercado, mensurado pela Fundação Getulio Vargas (FGV).

Ele é formado por três índices:

  • IPA-M: que mede os preços por atacado;
  • IPC-M: que mede os preços ao consumidor (varejo);
  • INCC: que calcula os preços na construção civil.

O IGP-M é usado geralmente para entender a variação financeira e corrigir valores de contratos de aluguel, seguros de saúde e de tarifas de serviços públicos.

Outros índices

  • IPC-Fipe: o Índice de Preço ao Consumidor é calculado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE) e mede a variação do custo de vida médio de famílias de 1 a 10 salários mínimos no município de São Paulo.
  • IPC-S: o Índice de Preços ao Consumidor Semanal mede os preços de 388 produtos a cada 10 dias. Ele é feito por donas de casa treinadas e funcionários da FGV.
  • SINAPI: o Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil é calculado em parceria com a Caixa Econômica Federal e mede a variação dos valores cobrados no setor de habitação e de construção.
  • IGP-DI: calculado pela FGV, ele apura os preços mensais de toda a cadeia produtiva, desde matérias-primas até bens e serviços finais.

O que causa a inflação?

Para continuar a explicação sobre como é medida a inflação, é necessário entender as principais causas de sua existência e oscilação:

  • falta da matéria-prima por sazonalidade ou impactos climáticos;
  • aumento da emissão de moeda;
  • alta nos custos de produção;
  • maior demanda;
  • elevação dos gastos públicos;
  • taxas de câmbio maiores;
  • monopólios ou cartéis;
  • ajustes de preços de acordo com o último índice de inflação, como aluguel.

Índice pessoal de inflação

É importante entender que o índice de inflação divulgado para toda a população pode ser diferente do seu índice pessoal. Afinal, a cesta de produtos e serviços mais utilizados é determinada pela Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), do IBGE.

Ela inclui tudo o que é mais consumido por todos, levando em relação à média do rendimento familiar na despesa do arroz, feijão, material escolar, lazer, cultura, passagem de transporte público etc.

Ou seja, a sua cesta de compras pode ser diferente da mais consumida pela população em geral. Logo, há o índice pessoal de inflação. Um exemplo: o preço da gasolina atinge de formas diferentes quem trabalha diariamente com o carro, o utiliza apenas nos fins de semana ou quem nem tem veículo.

Portanto, o seu índice pessoal de inflação pode ser maior ou menor do que o IPCA.

Outra questão a se considerar é o seu poder de compra. Se o seu salário não aumentou ou teve um pequeno acréscimo de um ano para o outro, ele pode estar abaixo do IPCA, por exemplo.

Por isso, você perde o seu poder de compra: os preços de produtos e serviços aumentaram, mas, na prática, o seu salário não.

Por isso, quando há uma redução do poder de compra devido ao índice de inflação, as famílias costumam comprar menos quantidade ou mudar os produtos e serviços consumidos, optando por marcas e empresas mais baratas.

Como é medida a inflação?

Oficialmente a inflação é calculada pelo IBGE, pelo principal índice, o IPCA. Mas, por que ele? Pelo fato do IPCA abranger a maior parte da população na sua pesquisa de preços.

Mas, como é medida a inflação pelos pesquisadores do IBGE? Todo mês eles fazem um levantamento para medir a variação de preços de produtos e serviços consumidos por uma família média brasileira. Eles analisam, por exemplo:

  • alimentos e cesta básica;
  • aluguel;
  • passagem de ônibus;
  • combustível;
  • energia elétrica;
  • água;
  • material escolar;
  • gastos com saúde e educação;
  • etc.

Entenda melhor essa dinâmica e aprenda como é medida a inflação:

  1. Pesquisadores visitam as famílias selecionadas para saber o que e onde elas mais costumam comprar;
  2. Eles determinam os produtos da cesta e o peso deles no cálculo da inflação. Exemplo: o peso do arroz é maior do que o do macarrão, por ser mais consumido.
  3. Os pesquisadores do IBGE escolhem quais comércios serão visitados para checar os preços dos itens selecionados.
  4. Toda semana eles visitam os estabelecimentos para entender a variação de preços.
  5. Os valores recolhidos são entregues aos técnicos que iniciam o cálculo dos índices.
  6. O cálculo da inflação é realizado de acordo com a alteração de preços de um período para o outro.

E a pergunta que todos querem saber é: como fugir da inflação? É possível? Continue a leitura e entenda!

Como fugir da inflação?

Bem, ao ler este texto e compreender como é medida a inflação, percebeu-se que não há como fugir da inflação na sua compra do dia a dia. Mas, há como se proteger dela ao realizar alguns tipos de investimentos!

Veja quais são eles:

  • títulos públicos: investimentos de renda fixa e públicos, como o Tesouro Direto IPCA+, que acompanha a variação da inflação;
  • títulos privados: é possível aplicar em ativos de renda fixa que têm o seu rendimento atrelado ao IPCA, como CDBs, LCIs e LCAs;
  • fundos imobiliários: os FIIs são investimentos de renda variável, que funcionam como um “condomínio”: vários investidores aplicam em conjunto no mercado de imóveis. Esse tipo de aplicação é isenta de Imposto de Renda.

Percebeu o quanto a inflação impacta diretamente as nossas vidas? Entendeu como é medida a inflação? Para fugir dela, a melhor saída é começar a investir agora mesmo!